Ángela Sabrina Márquez Acero

Ensaio opcional. Março 10.

Sob o risco da percepção estática dos conceitos científicos

Em 1958, Francis Crick propôs uma hipótese coerente que explicava o fluxo de informação entre biomoléculas (DNA, RNA e Proteínas). Embora sua proposta conhecida como Dogma Central da Biologia Molecular é amplamente aceita, conseguindo ainda evidência para o que ele denominou como tipos especiais de transferência e transferências desconhecidas [1]; o fato de uma ideia cientifica ter sido chamada de “dogma” produz uma percepção de imutabilidade no conceito. Dita condição pode limitar a imaginação cientifica e a falseabilidade do conceito. Uma prova indireta disso pode ser o fato do conceito não ter mudado de nome, como se a comunidade cientifica tivesse aceitado, tal vez de modo “dogmático” os seus postulados. Na atualidade cabe aos cientistas definir, com a maior clareza possível, os conceitos em que se baseia seu labor cientifica.

[1] Crick, F. (1970): Central Dogma of Molecular Biology. Nature 227, 561-563

Correção por Lucas D. de Campos

O seu texto traz a discussão sobre o uso da palavra "dogma" no trabalho de Crick (1970). É possível entender a mensagem que você quer passar de forma clara. Apesar de entender o que você quis dizer, fiquei um pouco em dúvida em algumas sentenças que estão um pouco longas. Também não consegui entender muito bem uma passagem na segunda frase: "…, conseguindo ainda evidência para o que…" . Porém ao terminar de ler a sentença, ela fez mais sentido. Talvez frase mais curtas, como proposto pelo Daniel em aula, tornem seu texto ainda mais claro.


Ensaio 1. 17 de março

A célula tem adquirido toda uma serie de mecanismos que tendem a reduzir o dano que se produz no DNA, esses mecanismos acompanhados do próprio processo de replicação, podem ser considerados como os grandes responsáveis –junto com os mecanismos de seleção natural-, da evolução e da transmissão da herança. O processo de replicação semiconservativo corroborado no trabalho de Meselson e Stahl permitem tanto a estabilidade da transmissão da informação, como a possibilidade de inserir pequenas mudanças não degenerativas contribuindo assim à diferenciação e, portanto, à evolução. Embora os mecanismos de reparo de mutações durante a replicação são bastante eficientes, algumas substituições de bases como por exemplo as transições purina-purina ou pirimidina-pirimidina podem se manter na fita recém sintetizada, contribuindo assim à variabilidade entre os indivíduos e com o passo do tempo à evolução.

Correção por José Serrano (24/03/17)


1) Eu não entendi o tema central do ensaio. No início começa falando dos mecanismos para a redução dos danos no DNA, depois passa para o processo de replicação semiconservativo e finalmente de mecanismos de reparo. Embora os temas em teoria estão relacionados, você deveria tentar deixar a ideia mais conexa.
2) O trabalho do Meselson and Stahl poderia ser citado formalmente.
3) Você menciona “mecanismos de seleção natural”, minha opinião a seleção natural seria mais uma força que influencia nos processos adaptativos dos organismos.
Bom ensaio


Ensaio 2. Março 24

A relevância da teoria neutralista da evolução molecular é a introdução do pensamento estocástico na ciência da evolução. A partir do trabalho do Kimura (1968) que provê uma justificação matemática da variabilidade genética por meio das mutações. Assim mesmo, outros trabalhos foram fundamentais na formalização da teoria (King & Jukes, 1969; Gould & Lewontin, 1979). Todos eles apontaram a mesma linha de pensamento estocástico na evolução ao nível molecular. Esta teoria implica que a imensa maioria das mudanças moleculares são neutras ou quase neutras. Isto é, que a maior parte das variações no DNA produzem proteínas funcionais, sem implicar uma adaptação do organismo. Com isto, os autores da teoria também atribuem à deriva genética ser o motor principal da evolução molecular baseando-se principalmente, no reconhecimento dos polimorfismos proteicos e à persistência ou eliminação das mutações ao acaso. Anteriormente ao aporte do Kimura, a teoria sintética da evolução reconhecia os fenômenos da deriva genética, embora não lhes atribuía significância no processo evolutivo. Só se consideravam as forças da natureza como determinadas, dirigidas em todos os níveis pela seleção natural. A partir das novas descobertas na década do 60 se magnifica a importância da teoria neutralista, já amplamente aceita. Que logra desconstruir parte do paradigma da teoria sintética, pelo menos ao nível molecular.

- Kimura, Motoo (1968) Evolutionary Rate at the Molecular Level. Nature, 217:624.
- King JL, Jukes TH. (1969). Non-Darwinian Evolution. Science 164:788-97.
- Gould SJ, Lewontin RC (1979). The Spandrels of San Marco. Proc. Royal Soc. B, 205:581.

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License