Victor Calvanese

Ensaio opcional aula 10.03.2017

O dogma central da Biologia molecular envolve os processos observados e as possíveis limitações impostas para transferência de informação a nível genético. Como expressado pelo próprio Francis Crick (1970) ainda que os processos mais gerais e frequentes sejam razoavelmente bem compreendidos, são na maioria das vezes apresentados em modelos simplistas. Com o advento de novas ferramentas tecnológicas, interações muitas vezes consideradas impossíveis passam a ser elucidadas, acarretando no aumento de complexidade de modelos propostos e abrindo novos campos para a ciência. Neste contexto, a concepção inicial de que o único caminho possível para transmissão de informação genética seria DNA->RNA->Proteína já foi a muito desmistificada. Mecanismos que envolvem DNA ou RNA como agentes disseminadores de informação são atualmente melhor compreendidos, principalmente por serem a “regra” em eucariotos e procariotos (grupos mais conhecidos), entretanto, sabe-se que algumas proteínas também são capazes de transmitir informação (p. ex. príons). Neste nível, o próprio conceito de “transmissão de informação” pode acabar esbarrando no de “reação bioquímica em cadeia”, dada a complexidade envolvida na propagação de uma molécula tão simplista. Mais esforços principalmente na pesquisa genética em procariotos e vírus, e a melhor compreensão sobre replicação e transmissão de informação em príons, que contam com um universo ainda pouco conhecido, devem revelar a frequência de processos considerados “inusitados”, bem como podem demonstrar mecanismos inimagináveis.

Correção ensaio opcional por Camila Chabi:

.Primeiramente, gostei bastante da forma que você defende sua opinião e os exemplos utilizados;
Mas, seguem algumas sugestões:
.Logo no primeiro parágrafo você deveria definir o que é o dogma central da biologia, ir diretamente ao assunto;
.Como você utilizou bastante exemplos, seria interessante utilizar algumas referências;
.Embora seja difícil, as sentenças deveriam ser mais curtas e "limpas";
.A nível de conhecimento científico, acredito que o dogma não é desmistificado pela acadêmia científica, pois ele mesmo considera que existem fluxos especiais. Estes, estão baseados em organismos conhecidos.

Ensaio 1 (17 de março 2017)

Devido ao fato do conceito de espécie ser ainda subjetivo, diversas questões básicas sobre delimitação natural de um grupo ainda são levantadas. Mesmo que existam agrupamentos naturais (espécies p. ex.) ainda não descritos, sua real existência configura como parte de uma história evolutiva, sendo seu posicionamento parentético tão relevante em filogenias quanto o de espécies descritas. Entretanto conforme a metodologia empregada, diversas concepções para “espécie” podem surgir. No estudo apresentado em sala, para populações de anfíbios em Madagascar, alguns pontos (em minha opinião essenciais) sobre as espécies candidatas foram pouco abordados ou negligenciados, pondo em cheque a validade da proposição de entidades como “novas espécies”. Entre eles: a distribuição ou nicho ocupado pelas candidatas não foi demonstrado, portanto, seriam simpátricas? Se sim, qual o número de espécimes de cada agrupamento analisados (apenas a quantidade geral da amostra foi revelada), pois se pouco representadas, tais linhagens podem ser apenas anômalas (sem que exista uma mutação fixada na população como um todo). Para tanto, teoricamente, existe o crivo científico onde toda comunidade (científica) deve aprovar essa espécie-hipótese, sendo tal procedimento essencial para a confiabilidade do processo. A criação de novos graus taxonômicos mesmo que justificada pela incompatibilidade da metodologia com a possibilidade real de execução deve, em minha opinião, ser vista com cuidado, pois quando uma ideia não é colocada em confronto sua validade acaba sendo menos confiável, ferindo preceitos da própria metodologia científica.

Correção Ensaio 1, por Priscilla Afonso:
Gostei bastante do texto. Embora você tenha exposto sua opinião de forma clara, as sentenças ainda continuam um pouco longas.

Ensaio 2 (24 de março de 2017)

A teoria neutra propõe a ocorrência de padrões não darwinianos na evolução de organismos. Kimura (1968), observa altas taxas de substituição de nucleotídeos em diferentes linhagens. O autor afirma que a maior parte dessas alterações são neutras ou quase neutras uma vez que não interferem diretamente na expressão de proteínas. Isto ocorre principalmente porque as alterações ocorrerem em material genético não decodificante ou em sítios cuja substituição não seja determinante para a construção de aminoácidos (Kimura, 1991). O autor propõe ainda que essas alterações podem não interferir diretamente no fitness dos organismos, podendo ser fixadas de forma aleatória. Segundo Kimura (1991), a maior parte das mutações observadas no material genético não seguem um padrão darwinista. Segundo o autor, deriva genética é predominante a seleção natural. Neste contexto, mudanças genéticas acontecem mais frequentemente de forma aleatórias e são predominantemente fixadas por eventos estocásticos.

Referências bibliográficas
Kimura, Motoo (1968) Evolutionary Rate at the Molecular Level. Nature, 217:624.
King JL, Jukes TH. (1969). Non-Darwinian Evolution. Science 164:788-97.
Kimura, Motoo (1991). The neutral theory of molecular evolution: a review of recent evidence. Jap. J. of Genetics.

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